Não Diga que a Canção Está Perdida!

  
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Não Diga que a Canção Está Perdida!

Mensagempor Mochileiro » Seg Jun 04, 2012 10:14

Não diga que a canção está perdida!



A vida é feita de escolhas, é verdade. Creio haver somente duas destas que não podemos tomar: a de nascer e a de morrer. Embora, esta última, um pouco relativa... Não acredito num destino predeterminado, mas sim na possibilidade de escolher, de tomar decisões que construam nossa vida.

Foi a escolha de nossos pais que nos trouxe ao mundo. Quando aqui chegamos, deparamo-nos com toda a beleza natural deste planeta e a aventura que é a vida terrestre. Desde os nossos primeiros dias, ficamos expostos à atual sociedade política na qual passamos a viver, capitalista, neoliberalista, e seus conhecidos e sofridos efeitos.

Com o passar do tempo e dos ventos, vamos crescendo e nos desenvolvendo física e psicologicamente. Em ambos os desenvolvimentos logo nos acomodamos, muito pouco mudando no primeiro, talvez menos no segundo.

Acordamos de manhã e, ao lermos o jornal, ficamos estarrecidos com mais algumas notícias e acontecimentos que nos são trazidos. São cidadãos, também chamados mendigos, morrendo de frio, de fome, ou até mesmo com a violência e a criminalidade que parecem já fazer parte da nossa alienada (ou não?) rotina. São crianças, adolescentes e adultos praticando o tráfico de drogas e, pior, achando ser este o melhor caminho para enfrentar as dificuldades. Por outro lado, são políticos nos dando a certeza de que a iniciativa para mudar não vai ser tomada por eles. Para completar, são seres humanos vivendo sem pensar o porquê de assim viverem.

Se for verdade que o mundo no qual vivemos é o que é, também é correto afirmar que somos nós, a começar por cada um, quem, através das ideias, construímos a realidade. Acredito que um homem envelhece quando para de sonhar e morre no momento em que nem mesmo dos poucos sonhos já realizados ele lembra mais. Também, só sonhar, não adianta. É preciso lutar para que tais sonhos se realizem! Nem sempre é fácil, mas talvez sejam as dificuldades que tornem o sonho como tal.

Se é o homem quem faz a história e se é constante a evolução das relações sociais, por que não acreditar na possibilidade de uma sociedade organizada de forma distinta da realidade em que, mesmo negando, vivemos? Como já dito acima, não escolhemos nascer nesta sociedade individualista, na qual a maioria absoluta é escravizada para possibilitar a poucos o desfruto das muitas belezas mundanas. Entretanto, podemos optar por uma reorganização social, melhorando o nosso futuro e fazendo com que os nossos filhos já não nasçam neste terrível palco de desigualdades.

Do modo como o nosso sistema político sócio-econômico está organizado, com a supremacia dos aspectos econômicos sobre os demais, certamente será reestruturado. Tudo é uma questão de tempo. Hegel sustentava que tudo o que existia de forma contraditória tendia a ser extinto. E, pensando um pouco, será que existe contradição maior do que as injustiças e as desigualdades sociais de hoje, gerando conflitos, lutas e oposições entre países, sociedades, grupos sociais e até mesmo pessoas? Se já não passamos, estamos certamente no limite de tais desigualdades. É pena que deixamos tudo chegar tão longe. No entanto, o importante é que ainda há tempo para mudar. E este tempo é apenas por cada um de nós construído.

A sociedade atual sofre diferentes crises, entre elas a crise da legitimidade. Esta está presente tanto na sociedade fundada em relações sociais capitalistas, quanto na sociedade fundada em relações socialistas. A crise do capitalismo e do socialismo, tendo estes sistemas como base de uma ordem social mais justa, diante do velho regime e da autoridade do mercado, nasce, de um lado, da contradição entre o sucesso econômico e o fracasso social do sistema capitalista e, de outro lado, da frustração com a promessa de uma sociedade mais justa, pela via do socialismo e a sua prática real.

É preciso, mais do que nunca, lutarmos por um mundo mais justo, com igualdade, ao menos, nas possibilidades entre os homens, onde não cabem ideias neoliberais e o seu respectivo terrorismo.

Segundo Durkheim, a divisão do trabalho deveria proporcionar uma relação de cooperação e de solidariedade entre os seres humanos. É exatamente o oposto do que vivemos.

Sendo possível escolher, votar em ideias, as quais tornariam o nosso mundo justo e a nossa economia solidária, por que assim não fazer? Ou nem ao menos tentar? É possível atingir o objetivo maior do ser humano: a felicidade. Por incrível que pareça, a canção ainda não está perdida! Para tanto, é preciso coragem e atitude para a realidade mudar...

Vicente Zancan Frantz - 2002.
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