Entrevista concedida ao Instinto Viajante

  

Entrevista concedida ao Instinto Viajante

Mensagempor Mochileiro » Sex Jul 17, 2015 06:24

Olá! Conte-nos um pouco sobre você, o projeto, quais eram os planos da sua viagem, objetivos, dias, roteiro...

Oi!
Eu sou natural de Ijuí, uma cidade do RS com aproximadamente 90 mil pessoas. Sempre pensei em viajar pra conhecer outros lugares no Brasil e no exterior, tanto cidades maiores quanto menores. Isso me permitira conhecer melhor a vida e o mundo, tocando extremos e encontrando mais equilíbrio. Foi o que fiz: aos 20 anos de idade, interrompi o curso de Direito na universidade em que estudava e viajei com uma mochila nas costas, sem prazo pra voltar. Minha experiência durou uns 2 anos. Passei por lugares na Europa e na América Central.


Por que escolheu esse tipo de viagem e local?
Escolhi mochilar pela riqueza da experiência de trabalhar, estudar e viajar noutros países, tudo de uma forma simples e improvisada de acordo com cada situação vivida. Escolhi ficar mais tempo em Londres, porque lá estudaria Inglês, teria mais oportunidade de trabalho, receberia em Libra, que é uma moeda bem forte e nessa cidade cosmopolita conheceria dezenas culturas, além de estar bem perto de vários outros países para os quais eu pretendia ir.

Qual era o objetivo da viagem?

Realizar uma experiência rica de vida.

O que motivou ou inspirou você a realizar a viagem?

Eu nasci com essa motivação. Meus pais também já viajaram bastante e acredito que tenho isso no sangue. Minha maior inspiração talvez tenha sido a ideia de que o mundo é nosso e que pra qualificar a nossa existência temos o poder-dever de conhecê-lo.

Quanto tempo ficou viajando e qual foi o ano?
A experiência contada em meu livro durou aproximadamente 2 anos, de 2003 a 2005.

Quais lugares ou continentes você visitou?

Visitei alguns lugares em alguns países da Europa e da América Central e da do Sul.

O que seus amigos e familiares acharam quando você foi?

Uns ficaram preocupados pela forma de viagem, que achavam ser insegura. Outros ficaram curiosos. E outros, ainda, ficaram felizes por eu estar realizando um grande sonho.

Vocês acha que ser mochileiro ou nômade é difícil ou qualquer um seria capaz?
Basta esse espírito. Quem o tiver vai conseguir.

Vocês usou dinheiro na viagem pelo que lembro do seu livro. Vc diria que foi Pouco, muito, como foi?
Você juntou dinheiro e foi viajar ou trabalhou durante a viagem? Como juntou e/ou como se manteve?

É impossível viajar durante meses ou anos sem absolutamente dinheiro algum. Pois o gasto sempre existirá, nem que de modo indireto, com alguém pagando contas de quem viaja. Eu peguei dinheiro emprestado (que depois devolvi com trabalho feito no exterior), bem como paguei despesas com dinheiro que ganhei tocando saxofone nas ruas, trabalhando de garçom, atendente de hotel e fazendo outros bicos. Além disso, meus pais sempre me apoiaram bastante, inclusive nesse aspecto financeiro. Meu gasto com moradia, transporte, estudo, alimentação e lazer foi de aproximadamente 600 libras por mês.

Daria alguma dica de como economizar grana pra mochilar?
De modo geral, sugiro escrever num papel uma lista de prioridades, pra haver suficiente organização de quanto não gastar em coisas menos prioritárias do que a pretendida mochilada. Além disso, buscar alguma renda extra e destinar para a viagem também deve ajudar.

Como você administrou esse dinheiro na estrada?
Eu tinha um cartão de crédito internacional.
Mas usei quase só as notas de dinheiro que tinha no bolso.

Quais ferramentas utilizou e utiliza para se planejar?

Depende de que planejamento. Pra viajar, abro mapas, leio e pesquiso o máximo possível sobre os lugares, ouço quem conhece algo a respeito, avalio datas mais convenientes, procuro vídeos, filmes, livros, passagens baratas, tento chegar aos locais já os conhecendo em teoria e com um roteiro elaborado - que geralmente altero de acordo com as coisas diversas que surgem.

O que você diria sobre choques culturais e como lidar com isso?
São positivos. Abrem a nossa mente. A título de experiência, vale bastante a pena estar disposto a experimentar o diferente, a fim de encontrar o nosso próprio equilíbrio. É oportunidade de viver de forma intensa. Como ensina Einstein: "A mente aberta a uma nova ideia jamais volta ao seu formato original".

Um monte de gente acha que viajar sozinho é perigoso. O que você acha e o que diria a estas pessoas?
Viajar sozinho não é perigoso. Alguns lugares são perigosos, mesmo quando viajamos em grupo. A questão é cada um se conhecer pra conseguir identificar o que, diante das peculiaridades de cada local, pode fazer sozinho ou não.

Qual foi o seu estilo de viagem? Se hospedou em albergues, camping, hotéis?
Fiquei em albergues e casa de amigos.

Vocês sentiu medo de algo durante a viagem?
E os medos que haviam antes de partir, quais eram? Eles permaneceram?

Antes de viajar, eu sentia "medo" de não poder realizar de verdade o sonho de viajar desse jeito. Durante a viagem senti "medo" de que vivências maravilhosas como aquela não fossem se repetir na minha vida. Fiz algumas coisas que poderiam ser consideradas "loucuras" por algumas pessoas, mas nada que me causasse um temor emocional forte a ponto de me fazer desistir do que no momento desejava. Hoje sigo com "medo" de não conseguir conhecer ainda mais sobre a vida, o mundo, os outros e a mim próprio. Acho que em nossas vidas, com o passar do tempo e com vivências diversas, nossos medos são naturalmente substituídos.

Lembro de ter percebido uma mudança muito grande entre o início do livro, quando você havia acabado de ir e o fim, depois de estar mais experiente. Como você avalia isso, acha que algo mudou realmente?
Uma experiência de vida intensa dessas muda bastante qualquer pessoa. Sempre pra melhor. O livro, além de informar e divertir os leitores, mostrando de forma geral como são essas experiências que milhões de pessoas fazem pelo mundo, acaba demonstrando sim justamente esse ponto por ti percebido: a metamorfose que acontece com o viajante.

Qual foi a coisa mais importante que você aprendeu nas viagens até agora?
Viver (e não apenas sobreviver), conquistar e compartilhar.

Você já pensava em escrever um livro? Como surgiu a ideia?
Sempre gostei de escrever e senti que era o que mais queria fazer na vida, se possível, profissionalmente. O livro "Mochileiro Aprendiz Aventureiro" surgiu de forma bem clara ao longo da viagem, comigo vivendo bastante coisa boa e tendo convicção de que tinha que dividir isso com mais gente.

O que você fez para escrever? Usou o próprio dinheiro, teve patrocínio, apenas enviou para uma editora?
Usei meu próprio tempo e dinheiro. Não tive patrocínio. O livro "Mochileiro Aprendiz Aventureiro" foi publicado inicialmente por mim, em 2006. E em 2014 foi publicado pela Amazon e pela Kobo, tanto em Português como em Inglês, passando a ser vendido em vários países.

E hoje, faria igual ou mudaria a estratégia para conseguir escrever um livro? Que dica dá a outros viajantes com essa pretensão de escrever um livro?
Hoje existem plataformas de publicação independente, como as da Amazon, da Kobo, da Saraiva e outras. Acredito serem atualmente os melhores caminhos, pois são rápidos e gratuitos. A maior dificuldade está em distribuir o livro físico.


Qual foi a melhor parte da viagem?
E a pior?

A partir do 9º mês longe de casa, passei a ganhar mais dinheiro e a ter mais tempo pra lazer e flexibilidade pra viajar. Foi quando começou a parte mais prazerosa. Antes disso, houve a parte de mais aprendizagem diante de dificuldades da vida.

Você se arrepende de algo?
Não me lembro de arrependimento significativo.

Passou algum perrengue ou história curiosa? Qual?
As contadas no livro...

Que conselhos você daria para as pessoas que procuram fazer algo semelhante?
Começar. Ler livros a respeito do que se quer fazer. Assistir a vídeos. Pesquisar sobre os lugares. Conversar com quem já fez algo parecido. Participar de grupos na internet. Aliás, foi pra isso que criei a página http://www.pelapaz.com/forum e também grupos no Facebook, como "Viagens e Intercâmbios" e "Mochileiros Aprendizes Aventureiros".

Teve alguma história que não pode incluir no livro por censura? Qual? rsrs
Há histórias boas que não estão no livro. Mas nenhuma delas por censura. Talvez eu as publique noutro livro!

Quer acrescentar algum pensamento ou observação?
"Mochilar é conhecer melhor a vida, o mundo, os outros e a si próprio. Viajar é uma das formas mais eficazes pra se melhorar o mundo, pois o viajante aprendiz retorna para o local de onde partiu com novas ideias e bastante energia. Pés e cabeça na estrada!"

Fonte: http://instintoviajante.com/um-mochileiro-em-uma-eurotrip-que-virou-livro/
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